domingo, 9 de novembro de 2008

Geração ૐ


"everybody move your body"


São vários os fatores que influenciam alguém a acompanhar, curtir, fazer parte de um movimento musical. Eu, por exemplo, cresci ouvindo Beatles, Iron Maiden, Metallica, Chico Buarque e Chitãozinho & Xororó, para engloba-los, leitores, e fazê-los saber a minha opinião quanto ao assunto - ou seja, sem nenhum preconceito, seja qual for. Talvez por isso eu não tenha medo de escrever uma resenha sobre esse estilo de música, o trance, que é alvo de tantos preconceitos quanto o axé e o funk, como se existisse música certa ou errada. Fato é, parafraseando Cazuza, que existe música boa ou ruim. Pronto, você ouve se quiser ou não.


O trance cresce no Brasil descontroladamente e muitos não se conformam que jovens da zona leste paulistana, por exemplo, sem instrução ou cultura musical alguma frequentem as raves que os pseudo-trancers tanto se orgulham de terem introduzido no Brasil. É uma hipocrisia sem tamanho. Isso fica visível numa rave das "grandes", como são chamadas as maiores festas por aqui. Em São Paulo, pelo menos, "Tribe", "XXXperience" e "Orbital" formam a trinca que nenhum raver "de responsa" deve perder. E a diversidade de artistas, a divulgação maciça na internet e pelo boca-a-boca atraem aqueles que só querem curtir uma balada, como qualquer outra. E, tenha certeza, isso incomoda muita gente, infelizmente.


Resolvi escrever sobre essa disparidade que me envergonha e também sobre a música que move tantas pessoas, algumas em busca de um ideal, outras atrás de "liberdade condicional", algumas ainda que só querem saber de se divertir. E é isso que torna o trance tão rico, na minha opinião. Na contramão, não sei qual é a necessidade do ser humano rotular um grupo de pessoas que curte algum estilo de música. Acho errado! O mundo seria um lugar mais livre de conceitos e convicções ultrapassadas se todos pudessem conviver livremente, independente de qualquer fator que os tornassem diferentes. Eu mesmo convivo com pessoas que amam, odeiam, suportam e "curtem" música eletrônica em geral, sem muito compromisso, e eles nunca faltaram com o respeito. Há aqueles que te olham torto quando você diz que frequenta raves, acham que é sinônimo de bacanal, reunião de drogados, um escarcéu de desordem, etc. e tal. Não minto nem me omito, a quantidade de pessoas que se droga é alarmante, mas quem somos nós para julgar esse tipo de coisa? A juventude drogada de 30, 40 anos atrás hoje é reverenciada na forma de pensadores, filósofos, políticos, formadores de opinião. Cada um faz o que quer e se formos julgar, devemos antes olhar para dentro e pensar muitas vezes ao abrir a boca.


Mas a música... Ah, a música! É leve, pesada, fraca, forte, pequena, enorme e tantos outros adjetivos obtusos um ao outro que possam haver. É uma salada, mas não uma salada qualquer, desorganizada e confusa. A construção de músicas full on morning (uma das vertentes mais apreciadas do famigerado psychedelic trance) sugere o nascer, o crescer, o APARECER e o morrer, muitas vezes alterando-se a ordem e/ou repetindo passagens marcantes. Como em qualquer estilo, há as boas e as más composições, mas se formos procurar, encontraremos verdadeiras obras de arte. É como uma sinfonia moderna, que se apega a detalhes e que seu principal objetivo é leva-lo ao estágio máximo, seja de compreensão divina, de alcance à natureza, de paz de espírito, etc. A música nos toca desde que foi inventada, e ela evoluiu para fazer-nos compreender que tudo pode ser usado para enaltecer o espírito, sejam batidas ou melodias harmônicas. O trance é uma conquista da humanidade moderna.


Não vou escrever sobre a história do movimento, pois alego que sei pouco - na verdade, apenas aquilo que o som e as sensações representam para mim. Deixo-os a vontade para se informarem, pesquisarem, rebaterem tudo o que escrevi, mesmo porquê essas discussões não levam a lugar nenhum além do entedimento final: a união dos seres humanos e a leveza do corpo e da alma traduzidos em música.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

EMA 08 - Pt. 1



Desinteresse!?


Eu estava começando a escrever sobre algumas premiações do EMA 2008, mas aí o 30 Seconds to Mars levou um prêmio em cima da Madonna vs. Justin Timberlake/Timbaland...


Sem comentários.
(agora só o show do Killers mesmo... e do Kanye West e da Duffy! Humpf!)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

B-Sides? Absolutamente...

"Help me out, I need it!"

Caras! o Killers é a melhor banda de todos os tempos da última semana! Sem comparação nenhuma!

Imaginem uma banda lançar um disco com b-sides (que são, praticamente, músicas "não tão boas para figurar em um album de inéditas") e TODAS as músicas serem melhores do que o mais conceituado álbum de qualquer banda de rock brasileiro, incluindo Titãs, Capital Inicial, todas as "bandas jovens" (como NX Zero, Hateen, etc e tal) e tão bom quanto os velhos clássicos da Legião Urbana, Barão Vermelho e Engenheiros do Hawaii - além de superar concorrentes diretos do rock mundial, que carece de boas músicas e bons artistas para interpretá-las.

Pois é.

Baixei "Neon Tiger", "Human" e "Spaceman", todas as três que fazem parte do próximo disco do Killers, "Day & Age", estreando em novembro agora - e digo-lhes que, apesar de boas (sou fã da banda, do estilo e da atitude dos caras, não posso evitar), não superam "All the Pretty Faces", "Leave the Bourbon on the Shelf", "Sweet Talk", "Under the Gun", "Show you How" e "Move Away" para ser econômico, todas do "Sawudust", a tal da compilação de b-sides do começo desse post.

Mas tudo bem, não acho "Somebody Told Me" e "Mr. Brightside" as melhores músicas do primeiro disco, "Hot Fuss", nem "When you were Young" e "Bones" as melhores de "Sam's Town" (essa sim!), o segundo CD. Minha esperança tem motivos para ficar saltitando dentro de mim.

Abs!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Cibratel


Forçando a memória, ou nem tanto, lembro de boa parte das coisas. Lembro de ficar esperando na droga do metrô (jabaquara ou tietê, nem lembro, acho que jabaquara) mais de uma hora e meia os dois tratantes chegarem, juntos, felizões, com suas malinhas. Lembro da gente decidindo se iríamos de ônibus ou van (eu preferia ônibus!) e acabamos indo de van. Lembro de tirarmos fotos na van e essa foi a sessão onde mais fotos foram tiradas. Lembro da gente chegando em itanhaém, descendo da van há uns mil km's do lugar correto. Lembro da gente andando, xingando aquele lugar (agora sagrado pra mim) e rindo, já prevendo que seria, no mínimo, digna de ser contada numa roda de amigos. Lembro da gente chegando em cibratel II, o lugar correto, onde havia lojinhas, numa das quais compramos nossos produtos de necessidades básicas (álcool). Lembro da gente encontrando a casa da tia da Fernanda. Lembro das primas e amigas da Fernanda nos recebendo. Depois lembro da Fernanda. Aí então as coisas se confundem um pouco. Sei que fomos até a praia determinado momento, só nós três. Curtimos a brisa do mar, sentamos, tomamos uma ou duas cervejas, levantamos, andamos pela orla, caçamos conchas, tomamos noção pela primeira vez desde que havíamos botados os pés em Itanhaém de que a viagem valera a pena, apenas pela presença de cada um ali, de nós três juntos.


Então eu lembro de voltar para a casa da praia, lembro de beijar a Fernanda. Lembro de pessoas chegando e saindo, lembro de pessoas conversando em voz alta. Lembro de uns caras surrupiando nossa vodka e nossa ypióca, as quais se tomamos uma dose foi muito. Lembro de uma discussão abafada sobre "onde esses três vão dormir?". Lembro de ter ficado arranjado que não dormiríamos. Lembro do FUNK NEURÓTICO, das risadas em companhia do pessoal desconhecido. Lembro, então, de nos prepararmos para a noite litorânea (e da noite litorânea em si). Lembro do Thi com a Flá. Lembro de decidirmos ficar e entrar na casa noturna. E da Fernanda ter decidido ficar também. Lá dentro, lembro de Razões e Emoções, e do Emo fazendo piada com si mesmo. Lembro de sentar com a Fernanda, tomando um refrigerante, enquanto os outros permaneciam na pista. Lembro da gente dormindo na mesinha. E então, me lembro de acordarmos, pouco depois, e irmos de volta para a casa da praia. Lembro da gente não querer entrar e atrapalhar o pessoal. Lembro da gente dormindo no chão, eu e a Fernanda, e os outros do nosso lado, um no banco e outro também no chão. Lembro do frio. Lembro da opção da Fernanda de permanecer com a gente até o limite do frio insuportável.


Aí eu lembro da gente levantando, pegando umas toalhas, dando um "tchau" para a Fernanda, que entrou para descansar, enfim. Lembro de nós três seguindo para a praia a fim de descansar um pouco por lá. Lembro de esticarmos a toalha e deitarmos, os três juntos. Lembro do sol que não deixava a gente dormir, lembro do incômodo da areia na toalha. Lembro, inclusive, dos idiotas tentando se aparecer nos azucrinando. Lembro de "Super Poderosas", e de risadas e de xingamentos em seguida. Lembro de voltarmos, então, para a casa a fim de pegarmos nossas coisas e retornarmos para a Grande São Paulo. Lembro da Fernanda muito triste pela nossa situação, e lembro de ter tentado tranquiliza-la, sem muito sucesso. Então da volta eu não lembro. Não lembro se foi ônibus ou van, só me lembro de estar de volta ao ABC Paulista, na casa do Thiago. E lembro de tomar banho, cagar e dormir. E depois acordar. E depois sentir que aquilo que havíamos passado seria eterno, ao menos para mim.


E hoje me recordo disso, faltando três meses para completar um ano dessa nossa primeira aventura. E me pego pensando no que seria de nós sem essa aventura. E declaro aqui, não em primeira mão, pois deixei recados para os dois, que "no dia sete de setembro de dois mil e sete, ganhei mais dois irmãos".

terça-feira, 11 de março de 2008

Nada. De novo

Ouvindo Innocence da Björk (pois é...), estréio esse pseudo-blog. E não há nada de novo nisso;

Boa sorte.


I once had no fears

None at all

And then when

I had some

To my surprise

I grew to like both

Scared or brave

Without them

The thrill of fear

Thought I'd never admit it

The thrill of fear

Now greatly enjoyed with courage

When I once was

Untouchable

Innocence roared

Still amazes

When I once was

Innocent

It's still here

But in different places

Neurosis

Only

Attaches

Itself to

Fertile

Ground

Where it can flourish

The thrill of fear

Thought I'd never admit it

The thrill of fear

Now greatly enjoyed with courage

When I once was

Fearless

Innocence roared

Still amazes

Untouchable

Innocence

It's still here

But in different places

Fear is a powerful drug

Overcome it and

You think that you can do

Anything!

Should I

Save myself

For later

Or generously give?

Fear ofLosing

Energy

Is draining

It locks up your chest

Shuts down the heart

Miserly

And stingy

Let's open up : share!

When I once was

Fearless

Innocence roared

Still amazes

Untouchable

Innocence

It's still here

But in different places


Volta, 2007