terça-feira, 4 de agosto de 2009

Around the World

É muito difícil escrever sobre o Daft Punk pelo simples motivo de que quando começo, me dá uma vontade louca de escutar suas músicas e acabo não prestando atenção às palavras que são digitadas por meus dedos. Mas decidi que tem de ser mais ou menos assim:

write it, cut it, paste it, save it, load it, check it, quick, rewrite it

Não é novidade pra ninguém (ou é, sei lá) que eu comecei a escutar música eletrônica por um de seus subgeneros mais famigerados da atualidade, o psytrance. Apesar de discordar da maioria, que acredita que full on é o estilo menos criativo e mais monótono, dou o braço a torcer quando se trata de outros estilos, inegavelmente mais abundantes quando o quesito é inovação. Alguns amigos meus são indiferentes, não gostam ou odeiam outras vertentes por serem, segundo eles, "lentas", "comerciais", enfim, uma série de adjetivos negativos nem sempre justificados.
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Eu mesmo, antes de me interessar completamente por esse mundo, ouvia aquilo que esses mesmos amigos gravavam para mim. Então um dia fui numa rave (ó!), e percebi que muitas das músicas eram regravações de velhos sucessos do rock'n'roll, da dance music oitentista e, claro, das mesmas músicas comerciais e lentas da 97,7 FM.
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Bom, em casa eu acabava escutando as músicas com outros ouvidos e foi dessa forma que cruzei os estilos. Um conceituado DJ israelita, Pixel, remixou um tal de Daft Punk (os DJs franceses Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter), nome que me remetia a desenhos animados estilo anime de uma banda esverdeada e, como não, "One More Time", o hit de sei-lá-quantos anos atrás. Desde aquele tempo eu achava legal esse som "de videogame", mas por culpa da minha educação empírica eu dizia que "eletrônica era uma bosta" e me privava de muita coisa que eu pudesse vir a gostar.
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O tempo passou e fiquei eu frente a frente com três discos do DP, escutei-os em seguida, diversas vezes, no MP3, no computador, onde conseguia eu botava play nos caras. Descobri, inclusive, que não foi só o israelita citado que remixou o duo francês, mas uma infinidade de artistas de uma infinidade de estilos diferentes. Enfim, Daft Punk é hoje referência máxima quando se trata de música eletrônica de qualidade.
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Provenientes de Paris, seus integrantes fazem história e são tratados como realeza por jovens DJs e fãs. Quando primeiro se reuniram, a idéia era criar uma banda de rock e chegaram a fazer shows, mas o "sonho" não durou nem um ano, pelomenos não como idealizado inicialmente. Uma crítica negativa apelidou-os de "punks bobos". E eles adoraram. Para substituir um colega baterista (que, posteriormente, formou outra banda de rock), a dupla apostou nos sequenciadores e sintetizadores de som. Talves nem eles mesmos soubessem que estavam aperfeiçoando todo um estilo de se fazer música quando começaram. Fato é que em pouco tempo o Daft Punk assinou com uma grande gravadora que lhes deu total liberdade de criação e desenvolvimento de projetos para tournes e lançamentos, simplesmentes porque era óbvio e irrefreável o talento e a qualidade do material. Seu primeiro disco, Homework, de 1997, é, ainda hoje, uma das principais influências e "porta de entrada" obrigatória para quem se inicia no mundo da música eletrônica (como eu, por exemplo).
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O Daft Punk também se destaca por adicionar elementos visuais às suas produções. Suas apresentações são catárticas, seus videoclipes tão bem produzidos quanto qualquer filme de alto orçamento de Hollywood e, o mais importante, o culto à pseudopersonalidade dos artistas os torna seres diferentes. Há pouquíssimos registros da dupla sem seu disfarce habitual (capacetes astronauto-futuristas, máscaras, panos pretos, tudo para esconder o rosto) e o discurso anti Star System (quando o artista é mais prestigiado que sua própria arte) só faz crescer a idolatria de seus fãs. É quase como uma psicologia reversa. E funciona muito bem.
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O último álbum do DP, entitulado Alive 2007 (presumivelmente numa referência ao quase honônimo Alive 1997, gravado nesse ano mas só lançado em 2001) mescla remixes de várias fases da carreira e coloca a dupla num patamar acima dos demais companheiros de profissão. Se você gosta de Justice, MSTRKRFT, Para One, etecetera e tal, vai adorar isso, mas se você já chegou ao alcance desses artistas, provavelmente já deve conhecer o Daft Punk - e gostar muito.
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foto: detalhe da capa do album "Discovery", de 2001.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sensacional 909

Aviões derrapam todos os dias na pista de pouso/decolagem. Várias vezes por dia. Nem sempre sabemos disso pelo noticiário. Qual o motivo? Quando um avião cai, pelas próximas duas semanas (no mínimo) ficamos sabendo de aviões que derrapam na ìndia, por exemplo. Qual o motivo?

Enfim, a base de pensamento é a mesma para o caso da Gripe A (H1N1). Há tanto alarde e uma incansável tentativa da mídia de vender o pânico que muitas pessoas já nem saem de casa com medo de morrerem subitamente - o engraçado é que poucas pessoas sabem (ou se esquecem, melhor dizendo) que a taxa de mortalidade é a mesma da gripe comum, e que o controle da gripe A está sendo feito pelo Ministério da Saúde. Só um pensamento. Boa tarde/noite (ou bom dia).


imagem: http://abnoxio.weblog.com.pt/arquivo/2008/01/index0

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Diretor de "Tropa" filmará universo das raves

Depois de relatar o duro cotidiano dos agentes do BOPE no filme "Tropa de Elite", os diretores José Padilha e Marcos Prado pretendem levar para as telonas um filme que retrate a "realidade" nas festas raves do Brasil.
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O filme ainda não tem roteiro definido, mas segundo os autores , pretende ser o mais fiel possível à realidade e irá retratar, usando as raves como pano de fundo, o drama de dois jovens da classe média que se envolvem com drogas.(algo de semelhante com "Meu nome não é Johnny").

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O fato é que se for sensacionalista ou não, o filme vem abordar um assunto que inevitavelmente seria deixado de lado, tamanho o número de ocorrências nesse tipo de festa. Infelizmente as coisas sairam do controle antes que as a mira de cineastas pudessem enxergar-las.

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A julgar pelo teor realista do filme "Tropa de Elite", o filme, que ainda não tem nome definido, poderá chocar muitas pessoas, mas por um outro lado, tudo que há de mais grave nas raves, como consumo e tráfico de drogas, além de casos isolados de mortes, já foram noticiadas exaustivamente nos jornais. Ao contrário, a história do Capitão Nascimento e do BOPE, era praticamente oculta para grande parte dos brasileiros. E chocou!

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Agora vamos esperar e ver se o filme não cairá no caminho mais tentador e mostrará que, de fato, as festas não são compostas apenas de pessoas deliquentes, irresponsáveis e drogadas, mas sim de muita gente de bem, que gosta de música eletrônica.

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Acredito que eu não tenha muito mais a declarar além de reforçar o último parágrafo da notícia. Existe, SIM, uma grande parcela de usuários de drogas e são eles que realmente fazem uma Tribe e uma Xxxperience lucrar absurdamente, edição após edição - mas existe ainda aquela meia dúzia de pessoas que se ligam apenas na MÚSICA.

domingo, 3 de maio de 2009

Em Foco

A Focus Features é uma das esperanças do cinema ocidental. Por razões por mim desconhecidas (que podem variar entre um bom gosto temperado com faro marketeiro de produtores espertos a fim de ganhar dinheiro - mas que respeitam a cinematografia em seu estilo, dando voz aos atuais visionários da sétima arte), a "divisão artística" da Universal Pictures ganha cada vez mais destaque e reconhecimento com verdadeiras proezas audiovisuais. No currículo constam produções como Traffic (2000), O Pianista (2002), O Jardineiro Fiel (2004), O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e Desejo e Reparação (2007) para citar apenas os grandes sucessos da produtora em terras brasileiras.

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, para muitos, é o ícone máximo da qualidade e do bom gosto da produtora.
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Mais além, a Focus coleciona filmes "queridinhos" entre o público que se diz amante do cinema. Títulos como Quero ser John Malkovich (1999), Billy Elliot (2000), Encontros e Desencontros (2003), Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004), Diários de Motocicleta (2004) e muito brevemente a sensação do cinema de 2008, Milk, geralmente ilustram a coleção de DVDs nas prateleiras dos cinéfilos, até mesmo dos mais enjoados com Hollywood e sua "odiosa indústria". Diretores conceituados, tanto por populares como eruditos, se fazem presentes constantemente na folha de pagamento da Focus: Os irmãos Coen, Robert Altman, Roman Polanski, Gus Van Sant, Ang Lee, além das jovens sensações como Sofia Coppola, Joe Wright e o brasileiro Fernando Meirelles.

Milk, de Gus Van Sant, considerado um dos melhores filmes de 2008

A lista é comprida e dificilmente se encontra algum filme ruim dentre as películas - mas é claro que existem. Quem acredita na promessa de que o bom cinema não morrerá tão cedo pode ficar mais tranquilo e apostar muitas fichas - com as previsões para 2009, que já conta com o sucesso de Coraline e os aguardados Taking Woodstock, sobre um cara que aluga o quintal de sua casa para "um pequeno festival", e A Serious Man, outro longa de animação com um genial toque de Tim Burton, a Focus pode sorrir ao mesmo tempo que faz os espectadores sorrirem.

Taking Woodstock, de Ang Lee, é uma das apostas da Focus Features para 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Manifesto vs. Indústria

Talvez seja essa política RIDÍCULA de cobrar pela divulgação das músicas/artistas em plena época de crise (quando as pessoas têm de escolher muito bem onde irão gastar o rico dinheirinho que ganham) que faça com que o índice de venda de discos caia mês após mês. É tão TOSCO um artista (visivelmente usado pela gravadora) cobrar tão caro justamente para ter seu trabalho exposto em todo o mundo. Isso acontece pois ainda existem idiotas (perdão se você o faz, mas não existe outra palavra) dispostos a pagar por isso.

http://musica.uol.com.br/ultnot/reuters/2009/04/22/ult279u7561.jhtm

OUTRO PONTO: Na minha talvez anárquica opinião, os artistas devem cobrar apenas pelas apresentações que fazem, e não pela divulgação de seu trabalho, ainda mais na internet, o meio de comunicação mais livre de todos os tempos. Sou MESMO contra a intenção de cobrar esse valor absurdo de hoje em dia por um CD. Eles, os artistas/gravadoras, têm direito de cobrar o que for por seu "trabalho" MAS também compra quem estiver afim de gastar 1/10 do salário. A internet está aí pra facilitar isso, e ainda perseguem aqueles que buscam a liberdade na veiculação das músicas... Absurdo!


ENFIM, veja seus índices cairem,
ó grandiosa indústria fonográfica!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Técnicológico

O técnico do Corinthians, Mano Menezes, deve estar feliz da vida. Além de ter se classificado para as finais do Paulistão em cima do rival São Paulo, ele arranjou tempo e disposição para criar uma conta no Twitter http://twitter.com/manomenezes - e atualiza-la sempre que arranja uma brechinha.

Seguidores fiéis é que não vão faltar

terça-feira, 7 de abril de 2009

êlaemenhamenina!

BÃO, hein? É f*d@ como a moda oitentista pega entre a galera COOL! Adoro!

&

Belle & Sebastian tocando uma música dos Mutantes composta pelo Jorge Ben é no mínimo INTERESSANTE!

sábado, 28 de março de 2009

Bentivoglio Definido

Antes, a definição (mais pelos artistas, não pelos discos):

Guns'n'Roses - Appetite for Destruction


Iron Maiden - Powerslave


Los Hermanos - Los Hermanos


Metallica - Master of Puppets


Nirvana - Nevermind


Paranormal Attack - Phenomenon


The Smashing Pumpkins - Mellon Collie and the Infinite Sadness


Secos e Molhados - Secos e Molhados


Michael Jackson - Dangerous


Legião Urbana - Dois


Deadmau5 - Random Album Title.


Mutantes - Tecnicolor


Katy Perry - One of the Boys


Aerosmith - Get a Grip


Novos Baianos - Acabou Chorare


Incubus - Make Yourself


Silverchair - Neon Ballroom


MCR - The Black Parade



The Beatles - Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band


Edguy - Theater of Salvation


Sesto Sento - Como Together


O Teatro Mágico - Segundo Ato


Muse - Black Holes and Revelations


The Killers - Day & Age


Justice - Cross

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Sei que estou atrasado. Deveria ter escrito esse texto há, no mínimo, dois anos. Mas talvez essa seja a oportunidade para me redimir de um de meus pecados mais “tradicionais”: o preconceito musical que há, no mínimo, dois anos deixou de existir quase que por completo. É para se pensar na influência que as pessoas têm sobre as outras! É muito difícil alguém decidir por si só que começará uma empreitada musical a fim de encontrar as mais belas e raras e únicas canções existentes, sem levar em consideração fatores comerciais e sociais (por exemplo, para se encaixar num grupo de amigos, num meio qualquer).

Como (futuro) jornalista eu sinto que é quase uma obrigação ter a mente aberta, principalmente às artes. E com certeza isso acontece comigo. Antes de dizer algo sobre certo artigo cultural, procuro me rechear de argumentos para colocar o objeto em questão numa escala entre o desprezo e a adoração. Geralmente fica no meio termo! Há tempos atrás eu não escutava nada além dos radio-rocks e os obscuríssimos (em alguns casos) roquepauleiras. Talvez não por escolha, mas por uma questão de criação, de acomodação, de uma certa preguiça (aquele pensamento “ah, eu me divirto com isso, PRA QUÊ VOU PERDER MEU TEMPO E PROCURAR OUTRAS COISAS?”). Mas, claro, não vivemos num casulo, não podemos esperar conviver sempre com as mesmas pessoas. Mudamos sempre, em ciclos infinitos até a morte, e a soma do aprendizado desses ciclos é o que nos define de certa hora em diante.

E para certos seres humanos sensíveis, a música tem um papel especial, um leading role, por assim dizer. E é matemática pura: quando convivemos 10 anos com as mesmas pessoas, nada de muuuito diferente pode aparecer. Quando começamos a enxergar o mundo como uma coisa gigantesca que realmente é, e passamos a conhecer uma pessoa por dia, a situação muda consideravelmente. Imagine o caso: “galera que curte rock” um dia não sai, pois alguém está com dor de barriga. Então a opção é sair com a “galera que curte eletrônica”, e a paixão do apreciador nasce novamente. Então, depois de diversas noitadas inigualáveis, a “galera da MPB” convida-o para um café! E isso se amontoa no interior da pessoa até que a “galera do metal” renova seus contatos e o gosto musical também ganha nova roupagem. Importante ressaltar que nada é deixado de lado, apenas vai se acrescentando. E, repetindo, é isso o que nos define.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Edguy 2009


Após algum tempo, pensei que eu tinha perdido o gosto pelo bom Heavy Metal, mas foi só à menção de que, mais uma vez, uma de minhas bandas preferidas viria ao Brasil que minha cabeça deu um giro de, no mínimo, 180º. São coisas estranhas que a música nos proporciona. Ano passado fui ao show do Iron Maiden e do Avantasia e digo-lhes que a sensação dos dois não foi nem um pouco parecida com as que tive nas apresentações de anos anteriores do Edguy, do Angra, do Gamma Ray, enfim, de outras bandas de metal. Talvez por saber o que esperar e por não ter nada de realmente novo (no caso do Iron Maiden), eu considero até mesmo o show do Nightwish e do Scorpions melhor do que o dito cujo. Enfim, cheguei a cogitar que o meu tempo “perdido” nesse estilo de música havia passado, e isso ocorreu bem quando eu comecei a curtir tantos outros estilos de música, principalmente eletrônica e rock independente.

Engraçado é que, por exemplo, quando ouvia no rádio músicas do Iron, do Black Sabbath, ouvia na casa de amigos alguma faixa do Edguy, eu curtia como louco, como se tivesse voltado três, quatro anos no tempo e estivesse no Espaço das Américas, suando feito um porco, entoando hinos, bebendo litros de cerveja e indo para o bar cumprimentar os caras da banda. Incrível também o fato de eu não relacionar isso com a minha verdadeira persona interior, que nunca deixou de gostar de algum estilo de música, apenas foi adicionando outros.

E então o Edguy lançou um novo disco (o anterior foi bom, mas bem inferior aos primeiros), que, de cara, me fez pensar um “ãhn?”, típico de quem não esperava o que ouvir. E o disco foi deixado de lado até, mais ou menos, um mês antes do show. Quando entrou no meu MP3 para ficar, o Tinnitus Sanctus mexeu comigo. De uma forma que fez com que eu reavivasse meu cadastro no fã clube da banda, comprasse o ingresso para o show e, finalmente, tivesse a certeza de que o metal é uma das fontes primárias da minha vida.

No dia anterior ao show, eu fui encontrar alguns velhos conhecidos dessa turma que se veste de preto e foi tão maravilhosamente legal (apesar das crises de espirro crônicas e inerentes a lugares fechados com muita fumaça de cigarros) que nem me importava mais com o som em si, mas com as situações que esse tipo de som nos traz. Enfim, o show aconteceu numa noite chuvosa, após o empate do Corinthians com o São Paulo,a casa de longe de estar cheia, com bem menos gente do que eu esperava. Lá encontrei esses conhecidos e foi de um prazer tão grande que, realmente, quando as luzes se apagaram e a apresentação começou, eu já sabia que esse seria o melhor show da minha vida.

E, claro, para complementar, o show foi espetacular. Tobias arrebentou com seu meio metro da altura, Jens, virtuoso, me fez perceber que ele é um dos motivos do Edguy existir e atrair tantos fãs adeptos, Eggi com suas palhaçadas, Felix animalmente inspirado e o Dirk... bom, o Dirk é um daqueles caras que devem se sentir “o mais sortudo do mundo” por fazer parte da mágica! As músicas do novo disco ficaram incrivelmente melhores do que no estúdio, as músicas antigas pareciam puxar a energia da galera para se tornarem PODEROSAS o suficiente para fazer até os sentadinhos lá em cima no camarote se levantar – a química perfeita! Enfim, selvagem mais do que o suficiente, como realmente deve ser.

domingo, 9 de novembro de 2008

Geração ૐ


"everybody move your body"


São vários os fatores que influenciam alguém a acompanhar, curtir, fazer parte de um movimento musical. Eu, por exemplo, cresci ouvindo Beatles, Iron Maiden, Metallica, Chico Buarque e Chitãozinho & Xororó, para engloba-los, leitores, e fazê-los saber a minha opinião quanto ao assunto - ou seja, sem nenhum preconceito, seja qual for. Talvez por isso eu não tenha medo de escrever uma resenha sobre esse estilo de música, o trance, que é alvo de tantos preconceitos quanto o axé e o funk, como se existisse música certa ou errada. Fato é, parafraseando Cazuza, que existe música boa ou ruim. Pronto, você ouve se quiser ou não.


O trance cresce no Brasil descontroladamente e muitos não se conformam que jovens da zona leste paulistana, por exemplo, sem instrução ou cultura musical alguma frequentem as raves que os pseudo-trancers tanto se orgulham de terem introduzido no Brasil. É uma hipocrisia sem tamanho. Isso fica visível numa rave das "grandes", como são chamadas as maiores festas por aqui. Em São Paulo, pelo menos, "Tribe", "XXXperience" e "Orbital" formam a trinca que nenhum raver "de responsa" deve perder. E a diversidade de artistas, a divulgação maciça na internet e pelo boca-a-boca atraem aqueles que só querem curtir uma balada, como qualquer outra. E, tenha certeza, isso incomoda muita gente, infelizmente.


Resolvi escrever sobre essa disparidade que me envergonha e também sobre a música que move tantas pessoas, algumas em busca de um ideal, outras atrás de "liberdade condicional", algumas ainda que só querem saber de se divertir. E é isso que torna o trance tão rico, na minha opinião. Na contramão, não sei qual é a necessidade do ser humano rotular um grupo de pessoas que curte algum estilo de música. Acho errado! O mundo seria um lugar mais livre de conceitos e convicções ultrapassadas se todos pudessem conviver livremente, independente de qualquer fator que os tornassem diferentes. Eu mesmo convivo com pessoas que amam, odeiam, suportam e "curtem" música eletrônica em geral, sem muito compromisso, e eles nunca faltaram com o respeito. Há aqueles que te olham torto quando você diz que frequenta raves, acham que é sinônimo de bacanal, reunião de drogados, um escarcéu de desordem, etc. e tal. Não minto nem me omito, a quantidade de pessoas que se droga é alarmante, mas quem somos nós para julgar esse tipo de coisa? A juventude drogada de 30, 40 anos atrás hoje é reverenciada na forma de pensadores, filósofos, políticos, formadores de opinião. Cada um faz o que quer e se formos julgar, devemos antes olhar para dentro e pensar muitas vezes ao abrir a boca.


Mas a música... Ah, a música! É leve, pesada, fraca, forte, pequena, enorme e tantos outros adjetivos obtusos um ao outro que possam haver. É uma salada, mas não uma salada qualquer, desorganizada e confusa. A construção de músicas full on morning (uma das vertentes mais apreciadas do famigerado psychedelic trance) sugere o nascer, o crescer, o APARECER e o morrer, muitas vezes alterando-se a ordem e/ou repetindo passagens marcantes. Como em qualquer estilo, há as boas e as más composições, mas se formos procurar, encontraremos verdadeiras obras de arte. É como uma sinfonia moderna, que se apega a detalhes e que seu principal objetivo é leva-lo ao estágio máximo, seja de compreensão divina, de alcance à natureza, de paz de espírito, etc. A música nos toca desde que foi inventada, e ela evoluiu para fazer-nos compreender que tudo pode ser usado para enaltecer o espírito, sejam batidas ou melodias harmônicas. O trance é uma conquista da humanidade moderna.


Não vou escrever sobre a história do movimento, pois alego que sei pouco - na verdade, apenas aquilo que o som e as sensações representam para mim. Deixo-os a vontade para se informarem, pesquisarem, rebaterem tudo o que escrevi, mesmo porquê essas discussões não levam a lugar nenhum além do entedimento final: a união dos seres humanos e a leveza do corpo e da alma traduzidos em música.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

EMA 08 - Pt. 1



Desinteresse!?


Eu estava começando a escrever sobre algumas premiações do EMA 2008, mas aí o 30 Seconds to Mars levou um prêmio em cima da Madonna vs. Justin Timberlake/Timbaland...


Sem comentários.
(agora só o show do Killers mesmo... e do Kanye West e da Duffy! Humpf!)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

B-Sides? Absolutamente...

"Help me out, I need it!"

Caras! o Killers é a melhor banda de todos os tempos da última semana! Sem comparação nenhuma!

Imaginem uma banda lançar um disco com b-sides (que são, praticamente, músicas "não tão boas para figurar em um album de inéditas") e TODAS as músicas serem melhores do que o mais conceituado álbum de qualquer banda de rock brasileiro, incluindo Titãs, Capital Inicial, todas as "bandas jovens" (como NX Zero, Hateen, etc e tal) e tão bom quanto os velhos clássicos da Legião Urbana, Barão Vermelho e Engenheiros do Hawaii - além de superar concorrentes diretos do rock mundial, que carece de boas músicas e bons artistas para interpretá-las.

Pois é.

Baixei "Neon Tiger", "Human" e "Spaceman", todas as três que fazem parte do próximo disco do Killers, "Day & Age", estreando em novembro agora - e digo-lhes que, apesar de boas (sou fã da banda, do estilo e da atitude dos caras, não posso evitar), não superam "All the Pretty Faces", "Leave the Bourbon on the Shelf", "Sweet Talk", "Under the Gun", "Show you How" e "Move Away" para ser econômico, todas do "Sawudust", a tal da compilação de b-sides do começo desse post.

Mas tudo bem, não acho "Somebody Told Me" e "Mr. Brightside" as melhores músicas do primeiro disco, "Hot Fuss", nem "When you were Young" e "Bones" as melhores de "Sam's Town" (essa sim!), o segundo CD. Minha esperança tem motivos para ficar saltitando dentro de mim.

Abs!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Cibratel


Forçando a memória, ou nem tanto, lembro de boa parte das coisas. Lembro de ficar esperando na droga do metrô (jabaquara ou tietê, nem lembro, acho que jabaquara) mais de uma hora e meia os dois tratantes chegarem, juntos, felizões, com suas malinhas. Lembro da gente decidindo se iríamos de ônibus ou van (eu preferia ônibus!) e acabamos indo de van. Lembro de tirarmos fotos na van e essa foi a sessão onde mais fotos foram tiradas. Lembro da gente chegando em itanhaém, descendo da van há uns mil km's do lugar correto. Lembro da gente andando, xingando aquele lugar (agora sagrado pra mim) e rindo, já prevendo que seria, no mínimo, digna de ser contada numa roda de amigos. Lembro da gente chegando em cibratel II, o lugar correto, onde havia lojinhas, numa das quais compramos nossos produtos de necessidades básicas (álcool). Lembro da gente encontrando a casa da tia da Fernanda. Lembro das primas e amigas da Fernanda nos recebendo. Depois lembro da Fernanda. Aí então as coisas se confundem um pouco. Sei que fomos até a praia determinado momento, só nós três. Curtimos a brisa do mar, sentamos, tomamos uma ou duas cervejas, levantamos, andamos pela orla, caçamos conchas, tomamos noção pela primeira vez desde que havíamos botados os pés em Itanhaém de que a viagem valera a pena, apenas pela presença de cada um ali, de nós três juntos.


Então eu lembro de voltar para a casa da praia, lembro de beijar a Fernanda. Lembro de pessoas chegando e saindo, lembro de pessoas conversando em voz alta. Lembro de uns caras surrupiando nossa vodka e nossa ypióca, as quais se tomamos uma dose foi muito. Lembro de uma discussão abafada sobre "onde esses três vão dormir?". Lembro de ter ficado arranjado que não dormiríamos. Lembro do FUNK NEURÓTICO, das risadas em companhia do pessoal desconhecido. Lembro, então, de nos prepararmos para a noite litorânea (e da noite litorânea em si). Lembro do Thi com a Flá. Lembro de decidirmos ficar e entrar na casa noturna. E da Fernanda ter decidido ficar também. Lá dentro, lembro de Razões e Emoções, e do Emo fazendo piada com si mesmo. Lembro de sentar com a Fernanda, tomando um refrigerante, enquanto os outros permaneciam na pista. Lembro da gente dormindo na mesinha. E então, me lembro de acordarmos, pouco depois, e irmos de volta para a casa da praia. Lembro da gente não querer entrar e atrapalhar o pessoal. Lembro da gente dormindo no chão, eu e a Fernanda, e os outros do nosso lado, um no banco e outro também no chão. Lembro do frio. Lembro da opção da Fernanda de permanecer com a gente até o limite do frio insuportável.


Aí eu lembro da gente levantando, pegando umas toalhas, dando um "tchau" para a Fernanda, que entrou para descansar, enfim. Lembro de nós três seguindo para a praia a fim de descansar um pouco por lá. Lembro de esticarmos a toalha e deitarmos, os três juntos. Lembro do sol que não deixava a gente dormir, lembro do incômodo da areia na toalha. Lembro, inclusive, dos idiotas tentando se aparecer nos azucrinando. Lembro de "Super Poderosas", e de risadas e de xingamentos em seguida. Lembro de voltarmos, então, para a casa a fim de pegarmos nossas coisas e retornarmos para a Grande São Paulo. Lembro da Fernanda muito triste pela nossa situação, e lembro de ter tentado tranquiliza-la, sem muito sucesso. Então da volta eu não lembro. Não lembro se foi ônibus ou van, só me lembro de estar de volta ao ABC Paulista, na casa do Thiago. E lembro de tomar banho, cagar e dormir. E depois acordar. E depois sentir que aquilo que havíamos passado seria eterno, ao menos para mim.


E hoje me recordo disso, faltando três meses para completar um ano dessa nossa primeira aventura. E me pego pensando no que seria de nós sem essa aventura. E declaro aqui, não em primeira mão, pois deixei recados para os dois, que "no dia sete de setembro de dois mil e sete, ganhei mais dois irmãos".

terça-feira, 11 de março de 2008

Nada. De novo

Ouvindo Innocence da Björk (pois é...), estréio esse pseudo-blog. E não há nada de novo nisso;

Boa sorte.


I once had no fears

None at all

And then when

I had some

To my surprise

I grew to like both

Scared or brave

Without them

The thrill of fear

Thought I'd never admit it

The thrill of fear

Now greatly enjoyed with courage

When I once was

Untouchable

Innocence roared

Still amazes

When I once was

Innocent

It's still here

But in different places

Neurosis

Only

Attaches

Itself to

Fertile

Ground

Where it can flourish

The thrill of fear

Thought I'd never admit it

The thrill of fear

Now greatly enjoyed with courage

When I once was

Fearless

Innocence roared

Still amazes

Untouchable

Innocence

It's still here

But in different places

Fear is a powerful drug

Overcome it and

You think that you can do

Anything!

Should I

Save myself

For later

Or generously give?

Fear ofLosing

Energy

Is draining

It locks up your chest

Shuts down the heart

Miserly

And stingy

Let's open up : share!

When I once was

Fearless

Innocence roared

Still amazes

Untouchable

Innocence

It's still here

But in different places


Volta, 2007