
"everybody move your body"
São vários os fatores que influenciam alguém a acompanhar, curtir, fazer parte de um movimento musical. Eu, por exemplo, cresci ouvindo Beatles, Iron Maiden, Metallica, Chico Buarque e Chitãozinho & Xororó, para engloba-los, leitores, e fazê-los saber a minha opinião quanto ao assunto - ou seja, sem nenhum preconceito, seja qual for. Talvez por isso eu não tenha medo de escrever uma resenha sobre esse estilo de música, o trance, que é alvo de tantos preconceitos quanto o axé e o funk, como se existisse música certa ou errada. Fato é, parafraseando Cazuza, que existe música boa ou ruim. Pronto, você ouve se quiser ou não.
O trance cresce no Brasil descontroladamente e muitos não se conformam que jovens da zona leste paulistana, por exemplo, sem instrução ou cultura musical alguma frequentem as raves que os pseudo-trancers tanto se orgulham de terem introduzido no Brasil. É uma hipocrisia sem tamanho. Isso fica visível numa rave das "grandes", como são chamadas as maiores festas por aqui. Em São Paulo, pelo menos, "Tribe", "XXXperience" e "Orbital" formam a trinca que nenhum raver "de responsa" deve perder. E a diversidade de artistas, a divulgação maciça na internet e pelo boca-a-boca atraem aqueles que só querem curtir uma balada, como qualquer outra. E, tenha certeza, isso incomoda muita gente, infelizmente.
Resolvi escrever sobre essa disparidade que me envergonha e também sobre a música que move tantas pessoas, algumas em busca de um ideal, outras atrás de "liberdade condicional", algumas ainda que só querem saber de se divertir. E é isso que torna o trance tão rico, na minha opinião. Na contramão, não sei qual é a necessidade do ser humano rotular um grupo de pessoas que curte algum estilo de música. Acho errado! O mundo seria um lugar mais livre de conceitos e convicções ultrapassadas se todos pudessem conviver livremente, independente de qualquer fator que os tornassem diferentes. Eu mesmo convivo com pessoas que amam, odeiam, suportam e "curtem" música eletrônica em geral, sem muito compromisso, e eles nunca faltaram com o respeito. Há aqueles que te olham torto quando você diz que frequenta raves, acham que é sinônimo de bacanal, reunião de drogados, um escarcéu de desordem, etc. e tal. Não minto nem me omito, a quantidade de pessoas que se droga é alarmante, mas quem somos nós para julgar esse tipo de coisa? A juventude drogada de 30, 40 anos atrás hoje é reverenciada na forma de pensadores, filósofos, políticos, formadores de opinião. Cada um faz o que quer e se formos julgar, devemos antes olhar para dentro e pensar muitas vezes ao abrir a boca.
Mas a música... Ah, a música! É leve, pesada, fraca, forte, pequena, enorme e tantos outros adjetivos obtusos um ao outro que possam haver. É uma salada, mas não uma salada qualquer, desorganizada e confusa. A construção de músicas full on morning (uma das vertentes mais apreciadas do famigerado psychedelic trance) sugere o nascer, o crescer, o APARECER e o morrer, muitas vezes alterando-se a ordem e/ou repetindo passagens marcantes. Como em qualquer estilo, há as boas e as más composições, mas se formos procurar, encontraremos verdadeiras obras de arte. É como uma sinfonia moderna, que se apega a detalhes e que seu principal objetivo é leva-lo ao estágio máximo, seja de compreensão divina, de alcance à natureza, de paz de espírito, etc. A música nos toca desde que foi inventada, e ela evoluiu para fazer-nos compreender que tudo pode ser usado para enaltecer o espírito, sejam batidas ou melodias harmônicas. O trance é uma conquista da humanidade moderna.
Não vou escrever sobre a história do movimento, pois alego que sei pouco - na verdade, apenas aquilo que o som e as sensações representam para mim. Deixo-os a vontade para se informarem, pesquisarem, rebaterem tudo o que escrevi, mesmo porquê essas discussões não levam a lugar nenhum além do entedimento final: a união dos seres humanos e a leveza do corpo e da alma traduzidos em música.
Um comentário:
Perfeito !!!!
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